23 de mai de 2010

qualquer coincidência é mera coincidência.

Se conheceram no cursinho e matavam aula pra jogar poker. Apostavam maços de cigarro, alguns cds raros e vez que outra uns beijos tímidos na porta do banheiro. Ele costumava escrever sobre como ela matava seu coração aos poucos. Tinha o habito de beber sozinho ou com uma dupla de amigos. Raramente saia do apartamento. Voltava com uma garrafa de vinho (quando ela ia) e uns pacotes de miojo. Tentou terapia mas só deu certo quando ele aceitou o amor.
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1m76. órfão de pai depois que a mãe morreu em um acidente trágico. Virou ator pra descarregar a raiva e a carência. Também pra tocar a coxa de algumas meninas nos alongamentos dos ensaios. Desde a última namorada andava rolando impotentemente por camas cheirando a incenso de rosas. Só a dela que cheirava a limão siciliano. Depois de poucos anos, casou de forma instantânea com uma professora de teatro que já espera sua primeira filha. A garotinha vai ter o nome dela.
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Canhoto, segurava o violão com a mão esquerda. Sorria maliciosamente, pelo canto da boca, ao entoar os primeiros acordes de o último romance. Carregava um sotaque nômade vindo da mãe mineira e do pai gaúcho. Viciou-se em tapioca depois de dois anos morando na Bahia. Falava de cinema e de literatura. Tocava todos os instrumentos existentes. A deixou por uma menina mais baixa. E que gostava de Godard.
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Tinha os olhos mais verdes da rua. Ela pode notar assim que entraram os primeiros raios de sol no quarto úmido. Ele falava manso e a chamava de flor. Gastava a bolsa de pesquisa em cachaça barata, geralmente de cravo e canela – a canela limpa a garganta - repetia sempre. Costumava engavetar dezenas de projetos capengas (pra salvar o meio ambiente) que não eram realizados por excesso de noitadas. Um dia jogou tudo fora. Fazia dois anos que mãe não mexia ali.
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Gostava de música brega e andava de bicicleta. Variava a barba toda a semana. Só o bigode que permanecia sempre intacto. Desistiu de chamá-la de linda desde que ela cobrou uma dúzia de carinhos sinceros. Matava a larica com massa aos quatro queijos. Vez que outra misturava brócolis refogado ou sardinha em conserva. Jurava que não fazia questão de dormir com o travesseiro mais alto. Agradeceu a sabe se lá que deus quando ela conseguiu sumir da sua vida. Diminuiria o chocolate.
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Tinha dificuldade de usar calça e prender os cabelos. Assumira o papel de leoa mesmo não reinando nada. Sofria de alergia ao frio e passava dias ouvindo a mesma música. Era viciada em chocolate. Especialmente bombom de morango. Buscou ajuda em centro de umbanda, dançou salsa e tentou fazer as unhas toda à semana. Todo domingo sentia falta de um cafuné. daquele cafuné.

Qual cafuné?

6 comentários:

Milo disse...

Gostei de como tu contou a história, gosto de limbos narrativos, meio observando o texto meio dentro dele, meio muzzarella, meio pepperoni. Longos planos dão bons filmes e péssimos romances.

Carol. SM. disse...

que lindo, alice!

Betânia Dutra disse...

adoro, leonina :)

Pedro Antunes disse...

oii, gostei muito do seu blog.
Entre no meu e veja se gosta também e seja nosso seguidor, vlw.

www.hatesosweet.blogspot.com

Vinicius Dourado disse...

Adorei o texto... de quem é? Desculpa a leiguice.

Value Plus Realtech disse...

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